A freguesia de Benfica – Eco-Freguesia XXI – presta homenagem a António Lobo Antunes, uma das maiores figuras da literatura portuguesa contemporânea, através de um mural, da autoria do artista Edis One, inaugurado a 8 de junho.
A obra com cerca de 21 metros de altura encontra-se , na Rua André de Resende, junto à Esquadra da PSP de Benfica, na empena de um prédio de habitação acessível, construído pela própria Junta no âmbito da sua política de habitação.
A intervenção artística homenageia o escritor que nasceu e cresceu em Benfica, reforçando a ligação do autor à freguesia e à memória coletiva da comunidade local.
Médico, intelectual e uma referência incontornável da literatura portuguesa, António Lobo Antunes marcou várias gerações através da profundidade da sua escrita e da forma singular como retratou a sociedade portuguesa, muitas vezes inspirando-se nas memórias e nos lugares da infância vivida em Benfica.
O psiquiatra e escritor que morreu em março deste ano, aos 83 anos, doou mais de 30 mil títulos do arquivo pessoal à futura Biblioteca de Benfica, que deverá ser inaugurada em breve.
Depois da entrega, a título póstumo, da Chave de Honra da Freguesia à família do escritor em abril, a Junta de Freguesia de Benfica volta agora a assinalar o legado de António Lobo Antunes através da arte pública, perpetuando a sua memória no espaço urbano e aproximando-a das novas gerações.
Integrado no universo visual da série “Broken Cities”, o mural apresenta uma composição carregada de simbolismo. A obra retrata uma criança futurista sentada num baloiço, concentrada na leitura de uma carta ou texto, numa metáfora da imaginação, da descoberta e da construção do pensamento. Em pano de fundo surge o rosto de António Lobo Antunes, representado como uma memória viva e inspiradora.
Mais do que um simples retrato, o mural pretende refletir sobre o legado cultural, a importância da escrita e da memória coletiva nas cidades contemporâneas. A criança simboliza o futuro, enquanto António Lobo Antunes representa a herança intelectual e emocional deixada à sociedade portuguesa.
A composição incorpora ainda elementos característicos do trabalho de Edis One, como padrões inspirados no azulejo português, natureza orgânica, animais e fragmentos urbanos, numa linguagem visual que mistura realismo, abstração e desconstrução arquitetónica.
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