Metade das freguesias galardoadas com a Bandeira Verde encontram‑se hoje em concelhos oficialmente classificados pelo Governo como estando em estado de calamidade, na sequência dos estragos provocados pela tempestade Kristin.
Do total de 134 Eco‑Freguesias galardoadas, 65 situam‑se em 19 concelhos afetados, muitos dos quais foram duramente atingidos por inundações, quedas de árvores, deslizamentos de terras e danos severos em habitações, infraestruturas e equipamentos públicos. Entre os territórios mais representados destacam‑se Pombal (13 freguesias), Porto de Mós (10) e Leiria (8), seguidos por Caldas da Rainha, Cantanhede, Ourém e Águeda, cada um com quatro freguesias galardoadas localizadas em zonas de calamidade. Também em Soure três Eco-Freguesias estão nesta situação, enquanto em Aveiro, Ílhavo e Torres Vedras surgem duas Eco-Freguesias por concelho igualmnte afetadas.
A distribuição revela que uma parte expressiva das freguesias que mais têm investido em boas práticas ambientais, participação cívica e resiliência comunitária está agora a enfrentar os impactos diretos de um fenómeno climático extremo. Este facto reforça a pertinência e atualidade das políticas promovidas pelo Programa Eco‑Freguesias XXI, que aposta no fortalecimento das capacidades locais de gestão sustentável, preparação e adaptação às alterações climáticas.
Os dados demonstram que muitas das Eco‑Freguesias distinguidas estão, na prática, na linha da frente dos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando desafios que vão desde a gestão da água e do solo até à prevenção de riscos naturais. Ao mesmo tempo, evidenciam que o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos — nomeadamente na proteção da biodiversidade, no ordenamento dos espaços verdes, na participação comunitária e na comunicação ambiental — tem sido fundamental para aumentar a capacidade de resposta e recuperação destas comunidades em momentos críticos.
Apoios disponíveis para cidadãos e entidades afetadas
O Governo disponibiliza um guia centralizado com todos os apoios destinados a pessoas, empresas, agricultores e autarquias afetadas por situações de calamidade. A informação pode ser consultada no portal oficial, na página Apoios em Situação de Calamidade, onde estão reunidas as medidas atualmente em vigor para: habitações e bens essenciais danificados; empresas com prejuízos ou interrupção de atividade; setor agrícola, incluindo explorações e equipamentos; autarquias abrangidas pela declaração de calamidade
Para aceder aos apoios, o processo varia consoante o tipo de apoio, mas será sempre necessário:
- Verificar se o município está incluído na lista oficial de concelhos afetados.
- Escolher o apoio adequado, conforme se trate de cidadãos, empresas, agricultura ou autarquias.
- Reunir a documentação exigida, como comprovativos de danos, identificação e formulários específicos.
- Submeter o pedido através dos canais indicados no portal — serviços municipais, plataformas digitais ou entidades setoriais.
- Aguardar a avaliação das entidades responsáveis, que comunicam posteriormente os passos seguintes.
O portal disponibiliza ainda contactos úteis e indicações sobre onde obter apoio presencial.
Num contexto em que fenómenos meteorológicos extremos se tornam mais frequentes, a articulação entre reconhecimento de boas práticas, planeamento sustentável e resiliência territorial ganha ainda maior relevância. O papel das equipas locais que implementam diariamente o Programa Eco‑Freguesias XXI destaca‑se assim como essencial para apoiar as comunidades, reforçar competências e consolidar estratégias que permitam transformar vulnerabilidade em capacidade de adaptação.

